O Livro dos Espíritos

Capa original de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec

Neste mês de abril, espíritas de todo o mundo estão celebrando os 160 anos de publicação de O Livro dos Espíritos, primeira obra escrita por Allan Kardec, e que define e contém os princípios da doutrina espírita.

Embora o contato com o mundo espiritual seja uma realidade desde o surgimento do Homem na face da Terra, a doutrina que explica a comunicação com o mundo espiritual, designada como Espiritismo por Kardec, surge a partir da publicação em Paris da primeira edição do Le Livre des Esprits, em 18 de abril de 1857.

Um dos mais conceituados estudiosos da doutrina espírita, J. Herculano Pires, não por acaso autor e revisor das obras da Allan Kardec para o português, explica no prefácio da obra: “O Livro dos Espíritos marca um momento decisivo da evolução humana: o da maturidade mental e espiritual do homem. Embora menosprezado pela cultura moderna e contemporânea em virtude de suas implicações religiosas, ele se integra historicamente no processo do nosso desenvolvimento cultural. É um livro marco”.

Os fatos que envolvem o lançamento desta obra e, principalmente, as implicações causadas pelo surgimento de uma nova doutrina são suficientes para preencher outro volume. “A batalha contra o Espiritismo travou-se em todas as frentes e este livro foi considerado herético pela Religião, pela Filosofia e pela Ciência”, explica Herculano no prefácio.

“Não obstante, esses três campos do conhecimento avançam irremediavelmente na direção dos seus princípios. Cada conquista da Ciência, cada avanço da Filosofia, cada progresso da Religião têm marcado inevitavelmente uma aproximação da verdade espírita. À maneira do mundo clássico, que repudiou o Cristianismo para acabar se convertendo aos seus princípios, o mundo atual repudiou o Espiritismo para acabar avançando na sua direção”, complementa Pires.

Considerado o livro que inaugurou a era da fé raciocinada, O Livro dos Espíritos é um roteiro de vida e uma fonte permanente de estudos, consolação e esperança para mais de 2,5 milhões de brasileiros adeptos do Espiritismo e para outros 30 milhões de simpatizantes da doutrina.

Discretamente disposto nas livrarias parisienses numa época em que a capital da França era o centro intelectual do mundo, o livro apresentou à Humanidade novas perspectivas: a vida existe e prossegue, através do espírito, mesmo após a morte do corpo; Deus existe, é bom, nos criou e, através da reencarnação, nos dá a oportunidade de evoluir, corrigir o mal que praticamos e aprender a amar uns aos outros.

O livro básico do Espiritismo não é resultado de uma mente imaginária. Fruto de um trabalho quase jornalístico, a publicação surgiu de um material que Allan Kardec reuniu e selecionou. Para elaborar o livro, Kardec fez uma série de perguntas, submeteu-as aos espíritos mediante o concurso de diversos médiuns e comparou cada uma das respostas. Antes de publicar, ele checou as informações e as analisou segundo critérios rigorosos como a razão, a lógica, o bom senso e a universalidade da informação.

É por causa da metodologia aplicada que Kardec ficou conhecido como o Codificador da Doutrina Espírita, ou seja, selecionou as informações verdadeiras sobre as relações entre o mundo material e espiritual, organizando-as de forma a serem compreendidas. Grande parte desse conhecimento já estava na Terra, entretanto, perdido em manifestações mediúnicas nos mais diferentes pontos do planeta.

Principal obra de Allan Kardec – nome fictício do pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que dedicou os últimos 13 anos de sua vida ao estudo do Espiritismo – o Livro dos Espíritos é o ponto de partida de todas as suas outras obras. “Desdobrou-se este livro em mais quatro, que completam a Codificação do Espiritismo: O Livro dos Médiuns, desenvolvendo a sua teoria da experimentação espírita; O Evangelho Segundo O Espiritismo, código moral da religião espírita; O Céu e O Inferno, discussão das escrituras à luz das experiências mediúnicas; A Gênese, esclarecimento do princípios da criação segundo a concepção espírita. Temos nesses cinco volumes a Codificação Doutrinária, sendo O Livro dos Espíritos o centro a que todos os demais estão profundamente vinculados”, resume o célebre tradutor e revisor J. Herculano Pires.